sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Conto de Natal
Sempre ouvimos dizer que, normalmente, os médicos são bons escritores… e basta ver, na nossa literatura, quantos casos há!
Ora reparem neste belo texto que este menino – hoje também ele médico – escreveu aos 11 anos, quando era aluno do 6º Ano. Para informação, dizemos também quem ele é: é o Dr. Fernando Correia, filho da nossa colega Celeste Correia, ex-professora da nossa escola.
Conto de Natal
Era dia de Natal! Tudo estava alegre e em festa! Todos se atropelavam pelas ruas daquela pequena aldeia. Todos preparavam o Natal! Só João, encostado a um canto, não partilhava dessa alegria. João era um menino de 11 anos, alto, magro, dócil, bondoso e humilde, pobre, que fora abandonado por seus pais, em pequeno.
O pouco que lhe davam não chegava e, por isso, roubava de vez em quando, não por mal, mas para sobreviver. Às vezes lamentava-se de ter nascido, pois esta vida trazia-lhe muitos desgostos.
Levantava-se cedo, pois a Natureza não o deixava dormir mais. João vivia ao pé de uma ribeira que passava no pinhal.
Sua casa, um casebre, que tinha encontrado por acaso num dos seus passeios habituais, chegava para as suas exigências. A luz que possuía era proveniente de uma lareira que ele construira com pequenas pedras encaixadas de maneira rude mas eficaz, com uma chaminé pequenina. Ele vivia com um companheiro que o seguia em todas as suas aventuras e desventuras desde miúdo, um cão chamado Tintin.
Porém, esta manhã, João levantou-se mais cedo. Palmilhou a cidade de lés a lés à procura de não sei de quê: talvez dos seus pais, que tinham ido embora, há muito, de qualquer coisa, qualquer pensamento, qualquer certeza...
Hoje, as pessoas pareciam-lhe mais simpáticas, talvez por ser Consoada, todas lhe deram alguma coisa. Pôs tudo num saco que houvera encontrado ali perto, levou tudo para casa e voltou a saltitar, como sempre.
Chegou o meio-dia e todas as simpáticas pessoas recolheram ao conforto de suas casas. João, ao ver-se sozinho, entristeceu, mas, a sua alma, subitamente, alegrou-se ao avistar um casal recém-casado que lhe pediu, muito delicadamente, que se juntasse a eles para almoçar num restaurante que servia bem e era modesto.
À tarde, decidiu ir conhecer o longo e misterioso pinhal. Chamou o Tintin e lá foram eles. João ouviu e registou na sua pequena cabeça inúmeras cores e sons, fez também muitos amigos entre os quais um esquilo que nunca mais o largou. Matou a sede na água pura e límpida da ribeira. Voltou a casa, alegre, raro naquela criança.
Jantou conforme a tradição pois tinha conhecido um casal de velhinhos a quem prestou uma companhia preciosa. Partilhou com eles os mimos que houvera recebido das gentes da sua aldeia e saiu.
Mais tarde, João, com o esquilo ao ombro e o Tintin no seu encalço, regressava a casa. Passava nas diversas ruas e via famílias inteiras, alegres, reunidas, felizes. Parava de vez em quando a contemplá-las tentando confortar-se com a alegria dos outros...
João, ouvindo lá longe as badaladas da meia-noite, encostou-se a um canto, já sem nenhuma esperança de encontrar seus pais, mas, ao mesmo tempo, pedindo a Deus Menino que o ajudasse. E Chorou, chorou, chorou até que, mal soou a última badalada, das suas lágrimas surgiram Renas, não Renas vulgares, mas sim,Renas Mágicas que o levaram até seus pais que, arrependidos de o terem abandonado, o acolheram de braços abertos e lágrimas nos olhos.
A chuva
Publicamos hoje mais um texto da nossa colega Maria Celeste Brigas Correia que, apesar de já não fazer parte do corpo docente da nossa escola, está sempre presente no nosso coração!
A chuva
Eu era a personagem mais fria e incómoda de todas as que viviam naquela região. Todavia, o meu dia luminoso chegou. O Sol aqueceu as nuvens e eu libertei-me daquele cativeiro que me reduzia a uma massa gasosa…
De um escuro cinzento e carregado, passei a vestir-me dum branco opaco e luminoso que o meu amigo Sol me emprestou colocando-se atrás de mim. Fui tomando não só as cores, como também novas formas… Sim, todas as formas da tua imaginação rica e criativa. Fui Leão, Anjo, Coelho, Paisagem, Paraíso, Sonho, Aventura…
Houve uma ocasião que o Vento me levou, o Sol aqueceu-me e, então, pude cair, primeiro gota a gota, para acariciar meigamente a Terra que começava a cansar-se de me esperar. À medida que penetrava na terra sentia que devia cair cada vez mais rápido e mais intenso para a fertilizar. Houve ocasiões em que tive de cair em rajadas para encher as fontes a fim de que elas, pensando em mim, continuassem a vida na Terra.
Já ouviste falar em tempestades?!... Nem sempre me controlo e, fenómenos mais violentos vestem-me de granizo…
A violência traz sempre lágrimas, fome, morte, miséria,.. Conheces a realidade da vida!.. Bem sabes que quero o BEM da NATUREZA !!!
Já vês, sou a Chuva.
Tudo corre bem quando ando de mãos dadas com o Sol. Moro nas nuvens, nos jardins, nas sementeiras… nas colheitas…
Moro nos teus sonhos que te cobrem de nuvens e por baixo dos teus pés, alimentando a terra que pisas e onde vives.
Sou a auréola da tua vida e de todo o “Viver”!
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Querida Mãe
Num tema de composição dado, sobre uma “participação” numa viagem aos Açores, não faltou, à Joana, nem criatividade nem experiência… Daí resultou este belo texto, em forma de carta.
Açores, 30 de Outubro de 2010
Querida Mãe:
Olá! Tenho muitas saudades tuas e adorava que estivesses também aqui.
O barco em que viajo, na expedição do National Geographic-Portugal, aos Açores, para observar baleias e golfinhos, chama-se “Creoula” e tem setenta e sete metros de comprimento.
Este barco leva setenta e seis passageiros e os seus tripulantes são muito simpáticos.
Eu já aprendi algumas coisas (não muitas, ainda…) sobre biologia marinha e educação física e aprendi também a fazer nós de marinheiro nas cordas, a interpretar cartas e mapas e até meteorologia!
Nos cinco dias que já temos de navegação, avistámos algumas baleias e alguns golfinhos. Muitos dos passageiros enjoaram, mas eu não!
Eu adoro quando o barco anda de um lado para o outro a baloiçar, pois isso até me ajuda a adormecer melhor.
O barulho das gaivotas é lindíssimo e o cheiro do mar alivia-me a alma.
É mesmo maravilhoso andar de barco! Eu pensava que não era nada divertido, mas já me arrependi do que disse, pois, afinal, é divertidíssimo!
Eu conheci muitas pessoas, umas mais velhas e outras mais novas do que eu e, juntas, observámos, também, peixes de vários tamanhos e cores.
Houve um senhor que era pescador que nos contou muitas histórias da vida dele. Uma delas foi que tinha sido engolido por uma baleia mas, dentro dela, pulou, dançou, espinoteou e berrou tanto até que lá conseguiu que ela o libertasse! Esta história foi mesmo divertida!
Adeus! Volto a escrever para a semana, se já não estiver aí! Vou matar todas as minhas saudades quando chegar a casa!
Um grande beijinho da Joana.
Autora: Joana Santos – Nº 12 – 6º D
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Estafeta de Poemas
No projecto A LER+ decorreu a actividade de estafeta de poemas, durante os meses de Outubro a Dezembro e que uniu toda a comunidade escolar em torno da poesia e da leitura!
Assistente operacional D. Glória Rebelo lê um poema à sua colega D. Fátima Guedes.
TOP 10 LEITORES - NOVEMBRO 2010
1. Dulce Travassos
2. Mariana José
3. Daniela Carvalho e José Guilherme Santos
4. Maria Cruz Vaz
5. Camila Rebelo
6. João Gabriel Marques e Laura Prado
7. Eduardo Patrício e João Rafael Henriques
8. João Grazina
9. Ana Beatriz Bento, Filipa Simões, Mafalda Zarça e Rodrigo Fernandes
10. Francisca Simões, Márcia Filipa Rosa e Maria João Correia
2. Mariana José
3. Daniela Carvalho e José Guilherme Santos
4. Maria Cruz Vaz
5. Camila Rebelo
6. João Gabriel Marques e Laura Prado
7. Eduardo Patrício e João Rafael Henriques
8. João Grazina
9. Ana Beatriz Bento, Filipa Simões, Mafalda Zarça e Rodrigo Fernandes
10. Francisca Simões, Márcia Filipa Rosa e Maria João Correia
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
A Hora do Conto
A professora Fátima Coimbra encontra-se a desenvolver uma actividade muito interessante relacionada com o Projecto a Ler+: A Hora do Conto, destinada aos alunos das turmas do quinto ano e baseada nos contos das Mil e Uma Noites. Eis aqui uma foto sua numa dessas sessões.
Reencontro de amigos
Na sequência de um texto intitulado “A Caixinha de Música”, em que se fala de uma menina muito solitária e de um velho tocador de realejo que se torna seu amigo, um aluno da turma 5º B desenvolveu o seguinte texto que nos fala do seu reencontro, algum tempo mais tarde…
Quando Catarina voltou a ver o velho do realejo, nem conseguia acreditar nos seus próprios olhos! É que ela pensava que aquele velho que estava a ver não passava de uma miragem. Mas não! Era ele!!! Só que, agora, mais magro e mais pálido.
- Há tanto tempo que não te via! – exclamou o velho.
- E eu já estava a morrer de saudades tuas! – declarou Catarina, quase a chorar.
- Não chores, minha querida amiga, esta pequena aldeia já chora o suficiente! – acrescentou o velho.
- Concordo contigo. Mas é que já passaram dois anos desde a última vez que te vi e estou emocionada. – disse Catarina, enquanto limpava as lágrimas do seu rosto.
- Tenho uma surpresa para ti, Catarina! – disse o velho – e começou a tocar saxofone.
E aquela bela melodia que ele tocava acalmava qualquer pessoa!
Catarina apercebeu-se, então, de que aquele velho deixara de ser o velho do realejo e passara a ser o velho do saxofone.
E, enquanto Catarina pensava nisso, o velho desapareceu como que por magia, mas levando para sempre, toda a tristeza do mundo.
E ainda hoje se ouve aquela bela melodia do velho tocador de saxofone…
E esta história é dedicada a todos aqueles que ainda acreditam na magia dos sonhos!
Autor: David Ferreira – Nº 13 – 5º B
Quando Catarina voltou a ver o velho do realejo, nem conseguia acreditar nos seus próprios olhos! É que ela pensava que aquele velho que estava a ver não passava de uma miragem. Mas não! Era ele!!! Só que, agora, mais magro e mais pálido.
- Há tanto tempo que não te via! – exclamou o velho.
- E eu já estava a morrer de saudades tuas! – declarou Catarina, quase a chorar.
- Não chores, minha querida amiga, esta pequena aldeia já chora o suficiente! – acrescentou o velho.
- Concordo contigo. Mas é que já passaram dois anos desde a última vez que te vi e estou emocionada. – disse Catarina, enquanto limpava as lágrimas do seu rosto.
- Tenho uma surpresa para ti, Catarina! – disse o velho – e começou a tocar saxofone.
E aquela bela melodia que ele tocava acalmava qualquer pessoa!
Catarina apercebeu-se, então, de que aquele velho deixara de ser o velho do realejo e passara a ser o velho do saxofone.
E, enquanto Catarina pensava nisso, o velho desapareceu como que por magia, mas levando para sempre, toda a tristeza do mundo.
E ainda hoje se ouve aquela bela melodia do velho tocador de saxofone…
E esta história é dedicada a todos aqueles que ainda acreditam na magia dos sonhos!
Autor: David Ferreira – Nº 13 – 5º B
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Poemas Puzzle
Terminamos hoje a publicação dos poemas-puzzle reconstruídos pelos alunos das diferentes turmas, no âmbito da Comemoração do Mês das Bibliotecas. Parabéns a todos pela inspiração!
PIEC
POEMA PARA LILI
Da Cruz Quebrada a Palmela…
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
No comboio descendente
E os outros a dar-lhes trela –
No Comboio descendente
Uns calados para os outros
De Queluz à Cruz Quebrada…
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
No comboio descendente
E os outros sem ser por nada –
E os outros nem sim nem não –
No comboio descendente
Uns dormindo outros com sono,
Mas que grande reinação!
No comboio descendente
De Palmela a Portimão…
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9º A
ESCADA SEM CORRIMÃO
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.
Vai a caminho do sol
Mas nunca passa do chão.
É uma escada em caracol
E que não tem corrimão.
Sobe-se numa corrida
Correm-se p`rigos em vão.
Os degraus, quanto mais altos,
Mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
Servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Adivinhaste: é a vida
A escada sem corrimão.
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9º B
Na minha juventude antes de ter saído
Da casa de meus pais disposto a viajar
E era só ouvir o sonhador falar
Chegava o mês de Maio era tudo florido
Eu conhecia já o rebentar do mar
Das páginas dos livros que já tinha lido
E tudo se passava numa outra vida
O rolo das manhãs punha-se a circular
E havia para as coisas sempre uma saída
Da vida como se ela houvesse acontecido
Só sei que tinha o poder duma criança
Entre as coisas e mim havia vizinhança
Quando foi isso? Eu próprio não sei dizer
E tudo era possível era só querer.
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9º C
Escada sem corrimão
É uma escada em caracol
E que não tem corrimão.
Vai a caminho do sol
Mas nunca passa do chão.
Os degraus, quanto mais altos,
Mais estragados estão.
Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.
Sobe-se numa corrida
A escada sem corrimão.
Correm-se p`rigos em vão.
Nem sustos nem sobressaltos
Servem sequer de lição.
Adivinhaste: é a vida
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9º D
Aqui, sobre estas águas cor de azeite,
Minha velha Aia! Conta-me essa história
Carlota, à noite, ia ver se eu dormia
E vinha, de manhã, trazer-me o leite.
Talvez … baixando, em breve, à Água fria,
Sem um beijo, sem uma Ave-Maria,
Sem uma flor, sem o menor enfeite!
Aqui, não tenho um único deleite!
Cismo em meu Lar, na paz que lá havia.
Ah pudesse eu voltar à minha infância!
Lar adorado, em fumos, a distância,
Ao pé da minha irmã, vendo-a bordar:
Que principiava, tenho-a na memória,
<>.Ah deixem-me chorar!
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9º S M
Era uma vez, lá na Judeia, um rei,
Só por ter o poder de quem é rei
O malvado
Ou não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Porque um dia,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Mas,
Que o vivo sol da vida acarinhou;
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E na verdade, assim acontecia,
Feio bicho, de resto:
Um cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
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10 A
TUDO O QUE FAÇO OU MEDITO
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Tudo o que faço ou medito
Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E sou um mar de sargaço -
Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além…
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
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11º A
Cobertos de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura;
Num mimoso jardim, ó pomba mansa,
Sobre um banco de mármore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.
Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem más ideias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias
E a loucura dos vinhos atrevidos.
Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.
Outras vezes buscando distracção,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiros,
Formando unicamente um coração.
Beatos ou pagãos, vida à paxá,
Nós leremos, aceita este meu voto,
O Flos-Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavalheiro de Flaublas…
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12º A
RECONHECIMENTO À LOUCURA
Já alguém sentiu a loucura
Vestir de repente o nosso corpo?
Já
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E ás vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima’
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
Muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
Que nos faz seguir viagem
E fazer dos abismos descidas de recreio
E covas de encher novidade?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
Na aula de descer abismos
Sem paragem
Nem resignação?
E de uns fazer gigantes
E de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
Atrevidamente
E ganhar-lhe, e ganhar-lhe
A ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
Poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
Aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?
Tu Só, loucura, és capaz de transformar
O mundo tantas vezes quantas sejam necessárias para tudo?
Tudo , excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
Tantas razões que hão-de viver juntas.
A quem tas vier buscar
José de Almada Negreiros
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CP-D-TSJ
Bucólica
A vida é feita de nadas:
De searas onduladas
De sombras de uma figueira;
De grandes serras paradas
Pelo vento;
De ninhos que outrora havia
Nos beirais,
De casas de moradia
Caídas e com sinais
De poeira;
À espera de movimento;
De ver esta maravilha:
Meu pai erguer uma videira
Como uma mãe que faz uma trança à filha.
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CPTRB
URGENTEMENTE
É urgente o amor, é urgente
Permanecer.
É urgente inventar a alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
E manhãs claras.
É urgente o amor
Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos,
Muitas espadas.
É urgente descobrir rosas e rios
É urgente um barco no mar.
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12º CPIG
FIM
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
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CPTC
O ECHO
Tão tarde. Adão não vem? Aonde iria Adão?!
Talvez que fosse á caça; quer fazer surprezas com alguma corça branca lá da floresta.
Era p”lo entardecer, e Eva já sentia cuidados por tantas demoras.
Foi chamar ao cimo dos rochedos, e uma voz de mulher tambem, tambem chamou
Adão.
- Outra que não Ella chamara também por Elle.
Teve medo: Mas julgando fantazia chamou de novo: Adão? E uma voz de mulher
tambem , tambem chamou Adão.
E elle a saudá-la ameaçou-lhe um beijo e ella fugiu-lhe.
Foi-se triste para a tenda.
Adão já tinha vindo e trouxera as settas todas, e a caça era nenhuma!
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COZINHA 2
BRINQUEDO
Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
E um menino de bibe.
Presa pelo cordel à sua mão,
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E estrela ia subindo, azul e amarela,
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E cortou-lhe o cordel.
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Trabalho de Grupo:
Mário André Ferreira Carvalho
Samuel Nunes Silva
Soraia Marisa Araújo Lameiras
André Simões
A CENTOPEIA
A centopeia
em correrias
eternas
a lua cheia,
à luz
de uma candeia.
tem cem pernas
para cercar
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CPET
DE TARDE
Naquele pique-nique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
O ramalhete rubro das papoulas!
Pouco depois, em cima de uns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
Um ramalhete rubro de papoulas.
--------------------------------------------------------------------------b
12º CPIG
FIM
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
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1º ciclo
3º F (Prof. Alzira)
É como a do caracol
De Inverno more com frio
Vinde lavar ao alegre
Ficou-me o cheiro na mão.
À beirinha do navio.
Fui lavar ao rio turvo
A vida da lavadeira
E de verão morre com sol.
A roupa do marinheiro
Meninas do rio triste
Que a água do nosso rio
E escorregou-me o sabão
Põe a roupa como neve.
É lavada no mar alto
Abracei-me com as rosas
não é lavada no rio
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Quilómetros de Leitura
A partir do dia 12 de Outubro e até final do ano lectivo, tem estado a decorrer a actividade designada como “Km de leitura”. Destina-se a “contabilizar” a leitura feita nas diferentes disciplinas, em “distâncias” de 10Km por cada 10 minutos de leitura. Participa e ajuda a contabilizar muitos quilómetros para a tua turma! E não te esqueças de que ler é muito, muito importante, para o enriquecimento e para o desenvolvimento dos teus conhecimentos e saberes.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Top 10 Leitores – Outubro 2010
1. Dulce Travassos
2. Mariana José
3. Daniela Carvalho
4. Maria Vaz
5. Ana Beatriz Bento
6. Laura Prado
7. Tatiana Rasteiro
8. João Paulo Grazina
9. Tiago Costa
10. José Guilherme Santos
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