terça-feira, 4 de dezembro de 2007

IMAGINAÇÃO (NATALÍCIA) À SOLTA

Numa altura em que o espírito natalício (com tudo o que ele representa) anda um pouco por todo o lado, assumindo mil e umas formas, eis que nos chega este relato de um Natal vivido por um dos nossos alunos. Uma história simples mas franca. É o Natal visto por uma criança de 10 anos:

No Natal passado, eu estava ansioso para que esta festa chegasse, para poder ter as minhas prendas. Mas não sabia o que devia pedir aos meus Pais, para eles me comprarem. Então lembrei-me de perguntar a todos os meus colegas o que é que eles gostariam de receber, mas nada do que eles disseram me interessou.
No dia seguinte, os meus Pais perguntaram-me o que é que eu queria, mas como eu não tinha ainda decidido, disse-lhes para comprarem o que conseguissem e eles concordaram. Como eu continuava sem saber o que queria, pensei, em vez de receber, dar eu aos meus Pais uma prenda: um desenho feito por mim!
Na véspera de Natal, eu, a minha Mãe, o meu Pai e a minha irmã fomos à procura de uma árvore e, mais tarde, depois de já a ter em casa, fomos enfeitá-la e colocar os presentes junto dela.
No Dia de Natal, fomos abrir esses presentes e eu tinha, para mim, uma mota telecomandada, roupa, um boneco e dinheiro. Depois de todos os presentes abertos, eu fui ter com os meus Pais e dei-lhes o desenho que eu tinha feito e expliquei-lhes que não tinha comprado nada de especial para eles, porque não tinha dinheiro e eles disseram que não era preciso nada porque, só com um beijo meu, eles ficavam felizes!
(David Silva – Nº 9 – 5º C)

1 comentários:

Fátima Coimbra disse...

Numa época em que a sociedade de consumo conseguiu subverter por completo o genuíno espírito natalício, o texto do David faz-nos recordar que o mais importante não é a quantidade de coisas que damos e/ou recebemos, mas antes a qualidade e a intenção que colocamos nas nossas acções. Imagino como os pais terão ficado felizes com o seu desenho!...
Recomendo ao David a a todos a leitura do livro de Antoine de Saint-Exupéry, "O Principezinho", cuja apresentação é possível encontrar no arquivo deste blog, do mês de Outubro. Nesse livro aprendemos que "o essencial é invisível para os olhos", "só se vê bem com o coração".